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Ataque de lesmas e caracóis pode comprometer plantas de soja

Informativo técnico da Aprosoja/MS orienta produtores sobre a identificação das pragas, os danos às plântulas e as estratégias de manejo na safra 2026/2027
20/10/2026 - 16:15

O monitoramento de lesmas e caracóis desde a semeadura é uma medida importante para o estabelecimento da lavoura de soja. Na safra 2026/2027, a equipe de campo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) identificou a ocorrência desses organismos nas regiões Oeste, Sul e Norte do estado, reforçando a necessidade de atenção dos produtores durante o desenvolvimento inicial da cultura.

De acordo com o Informativo Técnico 07/2026, as principais espécies registradas em lavouras de grãos no estado são o caracol Drymaeus interpunctus e a lesma Sarasinula linguaeformis. Embora apresentem diferenças físicas, ambos podem causar danos às plantas, principalmente durante a germinação e a emergência da soja.

Segundo o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, essa fase exige atenção porque as plantas ainda estão em desenvolvimento e têm capacidade limitada de recuperação diante de danos intensos. “O ataque pode comprometer o estabelecimento da lavoura e reduzir a população de plantas por hectare”.

Umidade e palhada favorecem a ocorrência

Lesmas e caracóis preferem ambientes úmidos e sombreados. A atividade desses organismos tende a aumentar após as chuvas, em períodos de umidade elevada e temperaturas amenas. Durante o dia, podem permanecer abrigados sob a palhada, em fendas no solo, sob torrões e entre restos culturais, saindo principalmente ao entardecer e durante a noite.

“A cobertura do solo, comum em sistemas de plantio direto, pode oferecer abrigo e proteção contra a radiação solar e predadores. Entretanto, a presença de palhada ou de condições favoráveis não significa, necessariamente, que haverá infestação. A ocorrência e a intensidade dos danos variam entre talhões e safras.Por isso, a avaliação deve considerar o histórico da área, as condições ambientais e os sinais encontrados nas plantas”.

Os principais danos ocorrem em folhas jovens, cotilédones e hastes. O consumo dos tecidos provoca lesões irregulares e pode resultar em raspagens, destruição parcial ou total das estruturas vegetais, tombamento e morte de plantas.

Quando a população das pragas é elevada, a perda de plantas pode comprometer o estande e, em situações severas, levar à necessidade de replantio.

Os efeitos também podem se estender para além do estabelecimento inicial. Populações elevadas de caracóis podem persistir durante o ciclo da cultura e causar problemas na colheita, incluindo o embuchamento das colheitadeiras, maior desgaste das máquinas e mau cheiro no ambiente.

Como fazer o monitoramento na lavoura

A recomendação técnica é iniciar as avaliações desde a semeadura, com atenção especial às áreas que já apresentaram ocorrência de lesmas e caracóis em safras anteriores.

O produtor deve observar a cobertura do solo e afastar a palhada e os torrões para procurar os organismos, ovos e trilhas de muco. Nas plantas, é importante verificar cotilédones, folhas e hastes em busca de tecidos raspados ou consumidos.

As avaliações ao entardecer ou à noite podem facilitar a localização das pragas, devido ao aumento de sua atividade nesses períodos.

Outro ponto importante é que ainda não existe consenso na literatura científica sobre um nível de ação específico para lesmas e caracóis. Dessa forma, a decisão de controle deve considerar a intensidade dos danos, a população de plantas remanescente, o estádio de desenvolvimento da cultura e a persistência das condições favoráveis.

Manejo integrado reúne diferentes estratégias

O controle dessas pragas é desafiador porque elas podem se alimentar por períodos prolongados, utilizar diferentes fontes de alimento e permanecer abrigadas sob a cobertura do solo. Por isso, o manejo integrado de pragas (MIP) é a abordagem recomendada.

A rotação de culturas pode contribuir para reduzir as populações. O informativo também destaca a conservação de inimigos naturais, como aves, mamíferos, anfíbios, répteis, bactérias e insetos predadores, como parte das estratégias de manejo.

Em situações de populações elevadas, o uso de iscas é um dos métodos adotados pelos produtores. Conforme o Informativo Técnico 07/2026, o fosfato férrico é apontado como ingrediente ativo registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para o controle de lesmas e caracóis na agricultura. A escolha do produto deve observar o registro vigente e as orientações de uso constantes no rótulo e na bula.

As iscas devem ser distribuídas sobre o solo, próximas às plantas que precisam ser protegidas, sem incorporação. A aplicação no final da tarde favorece o contato com os organismos durante seu período de maior atividade. Em áreas com histórico de ocorrência, o informativo indica que a aplicação logo após a semeadura pode ajudar a proteger as plântulas durante a emergência.

O consumo rápido das iscas pode indicar uma população elevada e a necessidade de reavaliação da área para verificar se há necessidade de reaplicação, sempre conforme as orientações do produto.

Atenção desde o início da safra

O acompanhamento frequente da lavoura é fundamental para identificar os primeiros sinais de ataque e orientar a tomada de decisão. A identificação correta das espécies, a avaliação dos danos e o monitoramento das condições da área ajudam o produtor a definir as medidas mais adequadas para cada situação.

A Aprosoja/MS reforça que o monitoramento contínuo permite identificar precocemente a ocorrência de lesmas e caracóis, reduzir o risco de perdas no estabelecimento da soja e contribuir para a formação adequada do estande na safra 2026/2027.

Texto: Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)
Foto: Aprosoja/MS