Skip directly to content

Instabilidade no Oriente Médio coloca diesel no radar do setor produtivo de MS

Cenário exige cautela
11/03/2026 - 14:30

Foto: Aprosoja/MS - Produtores acompanham cenário internacional com atenção, enquanto colheita da soja e plantio do milho segunda safra avançam em Mato Grosso do Sul.

 

 

A escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, adicionou um novo elemento de atenção para o produtor rural de Mato Grosso do Sul: a disponibilidade de óleo diesel. Embora o cenário internacional gere apreensão nos mercados de energia, especialistas e entidades do setor reforçam que, neste momento, é fundamental acompanhar os desdobramentos com cautela e evitar movimentos especulativos que possam amplificar artificialmente os preços do combustível.

 

Para Mato Grosso do Sul, o tema merece atenção especial. O estado depende do transporte rodoviário e de operações mecanizadas no campo, o que torna o diesel um insumo estratégico para o agronegócio.

 

Atualmente, as atividades agrícolas seguem em ritmo intenso. De acordo com o projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, a colheita da soja já alcançou 63,3% da área estimada de 4,8 milhões de hectares, o que representa mais de 3 milhões de hectares colhidos até o último dia 6 de março. Apenas na primeira semana do mês, cerca de 930 mil hectares foram colhidos, avanço de 19,4%.

 

Paralelamente, o plantio do milho de segunda safra também avança rapidamente. Até o momento, 65,7% da área estimada já foi semeada, o equivalente a 1,449 milhão de hectares. O esforço dos produtores busca garantir o cultivo dentro da chamada “janela ideal”, considerada mais segura do ponto de vista climático para o desenvolvimento da cultura.

Monitoramento permanente do cenário

É nesse período de intensa atividade que o custo do diesel ganha maior relevância. O combustível é essencial para o funcionamento de colheitadeiras, tratores e plantadeiras, além de ser determinante para o transporte da produção e dos insumos agrícolas.

A Aprosoja/MS reforça que está acompanhando de forma permanente qualquer mudança no cenário internacional e seus possíveis reflexos sobre o abastecimento e os preços do combustível no estado.

Diretores da Aprosoja/MS, de diferentes regiões do Estado, relataram dificuldades para encontrar diesel neste período de colheita e plantio, além da alta no preço do combustível em poucos dias.

“Em Dourados, hoje estamos pagando R$ 6,80 pelo litro do diesel. Há uma semana pagávamos R$ 5,50”, relatou Luis Alberto Novaes.

“Hoje o preço subiu mais de R$ 1 por aqui também, e o volume está muito restrito. Em duas distribuidoras não tem diesel”, afirmou Eduardo Introvini.

“Aqui no Vale do Araguaia, na região de Água Boa (MT), já estamos há uma semana sem diesel. Em Goiás, que nos atende, a situação também é complicada: há oito dias estava R$ 5,90, três dias atrás foi para R$ 6,80 e hoje já falaram em R$ 7,80 o litro”, disse Geraldo Loeff.

 

“Mesmo pagando à vista nas refinarias, estão liberando apenas 50% do volume que comprávamos antes”, destacou Pompílio Silva.

 

“Aqui em Sidrolândia também está complicado. A Unipetro não entregou mais. Consegui um pouco com a Santa Izabel para terminar de plantar o milho, mas a R$ 6,68 o litro”, relatou Paulo Stefanello.

 

“Está muito difícil conseguir combustível. Hoje consegui compartilhar 5 mil litros a R$ 8 o litro. Em São Gabriel do Oeste, na sexta-feira, já pararam atividades por falta de combustível”, afirmou Almir Daspasqualle.

 

Produtores no estado também mantêm atenção ao cenário externo, especialmente porque o período atual exige grande volume de operações no campo.

 

Transparência e cautela no mercado

A Aprosoja/MS destaca que o momento exige prudência e responsabilidade por parte dos agentes do mercado. Movimentos especulativos ou aumentos desproporcionais de preços, sem justificativa concreta na cadeia de abastecimento, podem gerar impactos desnecessários para o setor produtivo.

A entidade também defende o acompanhamento próximo da cadeia de abastecimento de combustíveis em Mato Grosso do Sul, com atenção especial ao cumprimento dos estoques mínimos obrigatórios nas distribuidoras e à transparência na formação de preços.

Para a Aprosoja/MS, embora o cenário internacional exija atenção, o equilíbrio e o monitoramento constante são fundamentais para evitar que a instabilidade global se transforme, internamente, em pressões artificiais sobre os custos de produção. A prioridade segue sendo assegurar que a colheita da soja e o plantio do milho safrinha avancem sem interrupções em um dos momentos mais estratégicos do calendário agrícola de Mato Grosso do Sul.

 

Texto: Marcos Maluf (Comunicação da Aprosoja/MS) e Flávio Aguena (Assessor Técnico Aprosoja/MS)