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Milho perde preço para soja e deve ter queda na safra em 2014, diz IBGE

Com preços muito baixos no mercado, após a safra recorde de 2013, o milho é o destaque negativo da primeira estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2014.

A safra total de milho está estimada em 75,67 milhões de toneladas, uma queda de 6% em relação a 2013. A área plantada diminuiu 3,7% e a produtividade também tem previsão de queda de 4,9%.

Segundo Carlos Alfredo Barreto Guedes, analista agrícola da IBGE, que nesta terça-feira (11) apresentou o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), o milho perde em competitividade para a soja, commodity mais disputada no mercado internacional. Em Mato Grosso, maior produtor de milho, a saca de 60 quilos estava a R$ 23 em 2012, chegou a R$ 10 em 2013 e atualmente bate os R$ 15, enquanto a saca de 60 quilos de soja se manteve em torno de R$ 46 no período, explicou Carlos Alfredo.

“A soja é uma commodity regulada pelo mercado externo, que está aquecido, com uma alta demanda da China e de outros países. Para a segunda safra de milho, que começa a ser plantada em março, após a colheita da soja, os produtores já anunciaram que vão reduzir a área plantada e o chamado pacote tecnológico, que são os investimentos em tecnologia. Com isso a produtividade será menor”, disse.

O Paraná, grande produtor de milho, tem previsão de queda acentuada na safra: -21,1% em relação a 2013, ressaltou o analista.

“O excesso de chuvas em Mato Grosso pode prejudicar o plantio e os produtores estão comprando sementes com menor potencial genético”, completou.

Soja em alta
Já a estimativa para a safra da soja é de alta de 11,7% em 2014, em relação a ano anterior, por causa dos preços convidativos, que fizeram os produtores aumentar a área plantada em 6,2% e investir em tecnologia, que poderá dar um ganho de produtividade na produção de 5%, prevê o IBGE. A safra pode chegar a 91,2 milhões de toneladas.

Em Mato Grosso, grande produtor, a alta na safra dera ser de 13,3%.

Recuo no café
O café, que no último prognóstico do IBGE em 2013 mostrava um cenário de baixo crescimento (1,1%) para 2014, agora tem previsão de recuo de 1,7% na produção. Segundo Carlos Alfredo, a baixa cotação levou produtores a realizar podas severas e até erradicar pés produtivos em 2013.  Em janeiro, os preços do café arábica estavam em patamares de 2005, R$ 260 a saca de 60 quilos, quando no início de 2012 bateram os R$ 460. Os estoques altos, resultado principalmente da crise europeia, derrubaram os preços e desanimaram os produtores.

A safra de cana-de-açúcar também tem previsão de baixo crescimento em 2014, 0,8%, devido à situação climática, aos baixos preços e ao etanol que está menos competitivo em relação á gasolina.

“O forte calor e a falta de chuvas em algumas regiões têm aumentado a preocupação dos produtores. Além disso, algumas usinas estão passando por problemas financeiros desde a crise econômica de 2008. Esperava-se um crescimento maior de açúcar, mas não ocorreu. O etanol deixou de ser competitivo, perdeu preço para a gasolina”, explicou o analista do IBGE.

Já o feijão mostra recuperação e tem previsão de alta de 62,3% na produção em 2014.

“Por causa dos bons preços, prevê-se um aumento na produção no Paraná de 31,1%. E na Região Nordeste, a expectativa de melhor clima aponta para a recuperação da produtividade”, disse Carlos Alfredo.

Safra total 
A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve ficar em 193,9 milhões de toneladas em 2014 –  3% maior que a colhida no ano passado, segundo levantamento divulgado nesta terça pelo IBGE. O levantamento estima que a área a ser colhida fique em 55 milhões de hectares, um acréscimo de 4,2% em relação aos 52,8 milhões de hectares de 2013. O instituto ressalta, no entanto, que o levantamento foi feito com dados colhidos até a 2ª quinzena de janeiro, e que não registravam ainda os efeitos das altas temperaturas e da falta de chuva nas regiões Sul e Sudeste.

G1